Sempre faço o mesmo caminho para ir ao trabalho, simplesmente subo uma rua até dar em uma avenida a qual desço e chego na TV. E se me perguntar porque não mudo de caminho? Eu te responderei: - adoro a rotina deste trajeto. Logo na primeira esquina sempre dou de cara com o "toquinho" um cachorrinho vizinho aqui de casa que sai sempre no mesmo horário para fazer suas necessidades. No quarteirão de cima, posso ver o segurança da farmácia que com seu ar todo imponente me diz : - Olá! Bom dia! Mais um quarteirão acima avisto sempre com o mesmo ar de quem sonha de olhos abertos um ceguinho que fica sentado sempre no portão de sua casa velha de janelas retorcidas pelo tempo, ao seu lado fica sua guardiã fiel a bengala. Sinto sempre uma necessidade de lhe falar oi. E sempre digo: - Bom Dia! E ele sempre me responde: Pra Você também...e parece que meu dia fica bom de verdade. Sempre no paredão de folhas verdes olho pra cima e passaros se agarram a fiação eletrica da rua e cantam, quase que formando um coral, música linda aos meus ouvidos e de letra compreensivel apenas pra eles. Sempre ao meu encontro vem o sr. que muito gentilmente todos os dias me cumprimenta. Eu lhe retribuo os votos de um bom dia. Uma senhora no qaurteirao da avenida a qual desço sempre esta com sua terapueta na calçada, sim a vassoura e a sacolinha parecem escutar todo os dias os problemas daquela humilde senhora, não sei na onde ela enxerga tanta sujeira, mas ela vai varrendo, varrendo até o momento que eu olho pra tras e ela não esta mais. Caramba ela varre muito rápido! Antes mesmo de chegar a sede da emissora encontro com um menino que todos os dias sai pelo portão de sua casa, fecha com chave e cadeado e ao atravessar a rua olha para tras como se certificando de alguma coisa! Ele atravessa e acanhadamente sempre me da um sorriso! Mas hoje alguma coisa não estava no lugar. Vamos recaptular, encontrei o toquinho, o segurança da farmácia, o ceguinho e sua bengala, o sr. simpático, os passarinhos cantarolando, mas um outro som diferente atrapalhava ou completava a cantoria das andorinhas! Era parecido com um apto que começa bem baixo e aumentava. Bem baixo e aumentava. E ai parecia pegar no tranco e não parava mais. Cheguei bem próximo a uma árvore e me deparei com uma cigarra! Pois é acredita! Uma cigarra! Quanto tempo não ouvia esse barulho infernal! Parei e fiquei a observar. De repende me veio um dejavú. Fui parar no horto florestal da minha cidade. Estavamos eu, meu irmão e meus primos, caminhavamos por entre as árvores, brincavamos de pega-pega, de esconde-esconde, de bola, apenas brincavamos. Quando fui me esconder atras de uma árvore quase morri de susto! Um negocio estranho estava grudado em sua copa. Parecia que não tinha vida. Parecia apenas uma casca. Era um bicho morto. Não era apenas o exoesqueleto da cigarra. Ah! por que! corriamos uns em direçao aos outros com aquele bichete na mão. Grudavamos aquele esqueletinho frágil na roupa e fingiamos que eram bróches! Como nos divertiamos com o corpinho da dona cigarra. E só depois de grande é que fui saber que essa carcaça se chama exúvia. Elas fazem a chamada ecdise que é a troca do exoesqueleto para que o corpo possa crescer. Tempos de escola! Mas aí reparei que já estava perdendo hora! Me coloquei a caminhar em meu trajeto solitário, me deparei com a senhora e sua vassoura o menino tímido e acanhado e o portão da tv. Entrei e fui trabalhar!
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