terça-feira, 25 de novembro de 2008

Síndrome do coração do soldado


Eu tinha 17 anos, meus cabelos tingidos de preto davam um tom final quase que azulado, eram alisados e compridos. Meu rosto era redondo diferente do formato de hoje oval, meu olhos grandes viviam quase sempre delineados por uma fina camada de lápis preto, o rimel dava volume aos meus cílios, um blush rosado dava cor a minha pele, na boca um tom natural, nunca usava batom, gostava da cor natural dos meu lábios, gostava do contorno que eles tinham e o gloss davam-no a aparência de óleo de frango ensopado.(riso) . Eu estava numa cidade que não era a minha. Estava com pessoas que não eram meus amigos. E quando olhei para o lado me senti como se estivesse caindo em um abismo não haviam galhos para eu me segurar, não havia ninguém que me segurasse. Eu caia e cai cada vez mais. Meus olhos ora se fechavam, ora se abriam afim de tentar enxergar a luz que ia tomando a ultima forma: um circulo grande preto por dentro com um outro pequeno e branco por fora. Um frio subia pela minha espinha, o medo encobria meu corpo. Era um medo incontrolável. Do lado de cá uma grande dose de adrenalina era jorrada, eu podia sentir este veneno escorrendo entre minhas veias. Eu me preparava pra fugir ou para lutar. A garganta travou, o ar parecia não passar. Os olhos ficaram pequenos ou esbugalhados, não me lembro. Tentava respirar mas o ar parecia entrar com tudo ou parecia não entrar nada. Senti uma zoeira. Senti um apito forte no meus ouvidos. Senti minha mão fria e trêmula. Senti meu corpo empalidecer. Não estava morrendo, disso tenho certeza. Mas que parecia, ah! isso parecia. De repente as mão começaram a formigar, os pés começaram a formigar, minha cabeça doia, doía muito. A nuca ficou rígida. E o ar... maldito ar... entrou detonando o meu pulmão... entrou rasgando e oxigenando novamente meu coração. Não estava morrendo. Disso tenho certeza. Mas que parecia ah! isso parecia. E que culpa tenho eu? Não disse que era fácil conviver comigo. Não disse que era fácil controlar meus instintos. Não disse que era fácil ser eu mesma. Então não me julgue por ter a síndrome do coração de soldado (Agarofobia).

Nenhum comentário: